quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Pergunta ocasionada pelo disco novo do Verve
Quantas bandas que passaram por longos hiatos voltaram com material novo tão forte quanto seus discos anteriores? Por mais que eu tente só consigo pensar no Mission of Burma.
domingo, 17 de agosto de 2008
Jerry Wexler

Não é surpreendente que a morte de Jerry Wexler tenha tido relativa pouca repercussão, já que não se tratava de um músico, mas a folha de serviços prestados dele é tão extensa quanto à de muitos gênios. O cara produziu Ray Charles nos anos 50, foi instrumental para a carreira de Aretha Franklin nos 60, estava no estúdio quando Wilson Pickett e Salomon Burke gravaram alguns dos seus maiores clássicos, ajudou a tirar a Stax do gueto, etc. Basta dizer que a inteligência e bom gosto de Wexler foram fundamentais para durante uns bons quinze anos entre as décadas de 50 e 60 a Atlantic ter lançado mais música boa que qualquer outra gravadora em qualquer outra época. Mas isto tudo é detalhe, a homenagem aqui fica mesmo por conta dele ter produzido Dusty in Memphis que é só um dos dez melhores álbuns de todos os tempos.
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segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Musica nova do Franz Ferdinand
A banda disponibilizou no seu site por tempo limitado uma das canções do disco novo. Muito boa.
domingo, 10 de agosto de 2008
Young Marble Giants - Final Day
Como gosto de manter as coisas bem diversas por aqui, nada como contrapor o The Bug com esta maravilha do Young Marble Giants. Existe visão apocaliptica mais delicada que esta?
The Bug - London Zoo
Kevin Martin não é bem um sujeito tranqüilo. Como é de se imaginar de um músico que a certa altura produziu sua trilha sonora alternativa para A Conversação (o excelente Tapping the Conversation) há algo de sufocante no seu trabalho. Basta olhar o título das faixas deste novo álbum do seu projeto The Bug: "Angry", "Murder We", "Too Much Pain", "Insane", etc. Entre Tapping the Conversation e este London Zoo (tenho que correr atrás de Pressure que gravou entre eles), Martin se aprofundou no uso da musica jamaicana de maneira que tanto intensifica a já densa textura da música, mas ao mesmo tempo conserva uma certa acessibilidade que parece estar sempre quase a dar as caras. É impressionante como Martin mantém a tensão ao longo do disco a despeito dos múltiplos vocalistas convidados. O som do Bug segue paranóico e perturbado, se eu fosse responsabilizado por montar uma trilha de um filme de desastre e quisesse garantir que ele mantivesse um tom grave, seria a este London Zoo que iria recorrer. É viciante, mas provavelmente melhor reservado para momentos em que se esteja disposto a mergulhar na atmosfera proposta por Martin.
Fica ai o video de "Poison Dart":
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Dois belos discos de hip hop
Enquanto toda a atenção da mídia parece ter se voltado para Lil’Wayne, dois belos discos de veteranos foram lançados.
Untitled é chocante, um álbum completamente centrado de Nas. A história já está batida: um disco conceitual a partir dos diferentes significados da palavra “Nigger”, que inclusive teria este título antes de Wall-Mart dizer não (como o próprio Nas descreve no messiânico primeiro single “Hero”). As faixas iniciais não escondem que ele não resiste as possibilidades de um hit mesmo que sacrifique a produção para isso (“Hero” ou “Make the World Go Round”), mas o disco vai crescendo faixa a faixa, com uma transparência conceitual rara. Na altura da divertidíssima “Sly Fox” percebemos que Nas não está simplesmente flertando com polêmica e levando a idéia do álbum muito a sério. Dali em diante é uma faixa clássica atrás da outra começando com “Testify”, das melhores que ele já gravou, em que vai ao analista lidar com síndrome pós-escravidão até a épica conclusão “Black President” (com sampler do Tupac para que não reste duvidas da grandiosidade), passando por pérolas como “Untitled”, “Project Roach” e sobretudo a sublime “Y’All My Niggers”. Que logo antes de Obama dar as caras, Nas faça um rápido desvio pela ficção científica em “We’re not Alone” só confirma que este um dos discos mais inteligentes do ano.
Não dá para recomendar o novo do RZA com tanto entusiasmo, mas é uma pena que o disco tenha passado em branco. Quando criou Bobby Digital, RZA parecia em busca de um projeto de férias. Uma desculpa para curtir um pouco se vestindo de pirata e bancando o super-herói (ao menos, ele chegou lá alguns anos antes de Hollywood). Poderíamos imaginar que Digi Snacks seria mais do mesmo, especialmente ficando pronto alguns meses depois de um álbum estressante e mal recebido do Wu-Tang Clan, mas Bobby mudou, passou pelas mãos de algum roteirista de quadrinhos com síndrome de Alan Moore e se tornou soturno, paranóico, tendo que lidar com o mal que reside dentro dele, etc. Bobby Digital deixou de ser a casa de praia de RZA para se tornar parte essencial do seu projeto de extrair uma poesia grave dos dejetos da cultura pop. O destaque como não podia deixar de ser é a produção cada vez mais rica e variada para o desespero dos puristas. Nenhum filme de super-herói do ano é tão vigoroso, perigoso e envolvente quanto “Good Night”.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
The Hold Steady - Sequestered in Memphis
Como sou um cara lento, demorei umas três audições para perceber que Sequestered in Memphis - uma das melhores canções do Stay Positive, disco novo do Hold Steady - é um interrogatório. Mas é impressionante como Craig Finn faz bom uso da estrutura da música para servir ao arco dramático tanto da própria Sequestered in Memphis, mas também do albúm como um todo. Um desses momentos que reafirmam que Finn é um dos melhores compositores em atividade. Fica ai um vídeo de uma performance recente do Hold Steady no programa do David Letterman:
Blog
Bem, acho que vale a pena fazer uma apresentação.
De tempo em tempo penso em fazer alguma observação ou postar um link no Anotações e depois me lembro que sempre mantive ele exclusivamente sobre cinema, e como sou um cara metódico, termino por desistir de postar lá. Então esperem encontrar por aqui comentários rápidos sobre discos novos e antigos (num formato similar ao do Anotações), sempre que me der vontade de comentar algum, observações mais rasteiras, alguns links e vídeos, etc. Vou tentar fazer ao menos um post por semana como já faço no Anotações, mas já aviso que não estranhem ocasionais silêncios ou se eu passar dois meses só escrevendo sobre jazz.
Fiquei um bom tempo (ok, 15 minutos) tentando pensar num nome para o blog até resolver homenagear minha canção favorita do Modern Lovers. Confesso que os únicos momentos em que me arrependo de não dirigir, é quando preciso ir ao supermercado a noite e penso que não posso descer a Angélica com Jonathan Richman gritando Radio On!.
De tempo em tempo penso em fazer alguma observação ou postar um link no Anotações e depois me lembro que sempre mantive ele exclusivamente sobre cinema, e como sou um cara metódico, termino por desistir de postar lá. Então esperem encontrar por aqui comentários rápidos sobre discos novos e antigos (num formato similar ao do Anotações), sempre que me der vontade de comentar algum, observações mais rasteiras, alguns links e vídeos, etc. Vou tentar fazer ao menos um post por semana como já faço no Anotações, mas já aviso que não estranhem ocasionais silêncios ou se eu passar dois meses só escrevendo sobre jazz.
Fiquei um bom tempo (ok, 15 minutos) tentando pensar num nome para o blog até resolver homenagear minha canção favorita do Modern Lovers. Confesso que os únicos momentos em que me arrependo de não dirigir, é quando preciso ir ao supermercado a noite e penso que não posso descer a Angélica com Jonathan Richman gritando Radio On!.
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